Jacob Elordi fotografa os bastidores de Frankenstein, de Guillermo del Toro
O ator australiano, Jacob Elordi, assumiu uma função pouco habitual durante as filmagens de Frankenstein, de Guillermo del Toro. Além de interpretar a Criatura, o ator registrou momentos do processo de produção para a edição 22 da Tudum Magazine, que o colocou ao lado de George Clooney como uma das capas da publicação. A Netflix posteriormente reuniu seis desses registros em uma galeria digital, todos creditados a Elordi.
Essa diferença fica ainda mais evidente nos autorretratos, especialmente pela presença dos equipamentos utilizados pelo ator nesses registros. Em uma das fotos, a câmera nas mãos de Elordi apresenta características de uma Leica analógica rangefinder, enquanto outro parece mostrar uma Hasselblad digital de médio formato, possivelmente uma X1D II 50C ou modelo próximo da linha. O próprio Tudum afirma que Elordi levou os leitores ao set "through the lens of his own camera", através das lentes de sua própria câmera. A publicação, porém, não identifica os equipamentos utilizados especificamente no diário, portanto essas identificações partem apenas da aparência das câmeras nas imagens.
A presença de equipamentos diferentes, por si só, não seria suficiente para determinar a experiência de alguém com fotografia. Câmeras também podem ser emprestadas ou disponibilizadas durante uma produção para que integrantes da equipe registrem o processo criativo. No meu caso, por exemplo, recebi uma Cyber-shot da organização do curso durante meu primeiro curta-metragem, como roteirista e diretor, e ainda guardo as fotografias feitas naquele período.
No caso de Elordi, porém, existem registros anteriores que ajudam a colocar essas imagens em perspectiva. A fotografia já fazia parte de sua prática pessoal antes de Frankenstein. Em 2020, ele assinou um diário fotográfico dos bastidores da primeira temporada de Euphoria para a V Magazine.
Mesmo sendo um conjunto breve de imagens, observo que há nelas decisões que vão além do registro casual de quem simplesmente aponta a câmera para o que está acontecendo. O ator demonstra uma relação com a fotografia que vai além de um olhar amador, revelando certa compreensão não apenas de luz e sombra, mas também de profundidade de campo, foco e enquadramento, além da familiaridade com câmeras analógicas. Tamanha atenção também diferencia o diário de um registro de bastidores tradicional e dá às fotografias de Elordi uma identidade própria.
Essa relação com a fotografia acontece paralelamente à extensa preparação de Elordi para interpretar A Criatura em Frankenstein. Para o papel, o ator teve cerca de quatro semanas de preparação e estudou referências que iam do butô japonês aos movimentos de sua golden retriever, Layla. A caracterização envolveu horas de trabalho e 42 peças protéticas criadas pela equipe de Mike Hill, além de dentaduras e lentes de contato. Foi durante esse processo de transformação que Elordi também registrou parte dos bastidores que compõem seu diário fotográfico para a Tudum Magazine.
Os bastidores de Frankenstein ainda ganha uma extensão em vídeo.
O diário fotográfico, portanto, funciona como uma extensão bastante particular da participação de Elordi no filme. As imagens não procuram substituir as fotografias promocionais tradicionais do filme, e sim registrar aquilo que o ator encontrou durante a transformação em Criatura: próteses, cadeiras vazias, cenários construídos, colegas caracterizados e fragmentos do próprio set.
O interesse está também na maneira como essas imagens são construídas. É possível notar que Elordi não fotografa o set de maneira aleatória, mas escolhe momentos e detalhes que ajudam a transmitir a atmosfera daquela produção. Há uma familiaridade com a linguagem fotográfica e com a própria operação da câmera que torna o material mais interessante do que um álbum de bastidores mais tradicional.
| Jacob Elordi nos bastidores de Frankenstein (Autorretrato) |
Essa diferença fica ainda mais evidente nos autorretratos, especialmente pela presença dos equipamentos utilizados pelo ator nesses registros. Em uma das fotos, a câmera nas mãos de Elordi apresenta características de uma Leica analógica rangefinder, enquanto outro parece mostrar uma Hasselblad digital de médio formato, possivelmente uma X1D II 50C ou modelo próximo da linha. O próprio Tudum afirma que Elordi levou os leitores ao set "through the lens of his own camera", através das lentes de sua própria câmera. A publicação, porém, não identifica os equipamentos utilizados especificamente no diário, portanto essas identificações partem apenas da aparência das câmeras nas imagens.
A presença de equipamentos diferentes, por si só, não seria suficiente para determinar a experiência de alguém com fotografia. Câmeras também podem ser emprestadas ou disponibilizadas durante uma produção para que integrantes da equipe registrem o processo criativo. No meu caso, por exemplo, recebi uma Cyber-shot da organização do curso durante meu primeiro curta-metragem, como roteirista e diretor, e ainda guardo as fotografias feitas naquele período.
No caso de Elordi, porém, existem registros anteriores que ajudam a colocar essas imagens em perspectiva. A fotografia já fazia parte de sua prática pessoal antes de Frankenstein. Em 2020, ele assinou um diário fotográfico dos bastidores da primeira temporada de Euphoria para a V Magazine.
Dois anos depois, ao participar da série 10 Essentials, da GQ, mostrou uma Rolleiflex de médio formato e falou sobre seu interesse por câmeras, pela qualidade das lentes e pelo som do obturador. Também contou que costuma fotografar pessoas e situações ao seu redor e mantém milhares de fotografias impressas em casa.
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A relação com a fotografia, portanto, não começa em Frankenstein. O diário da Tudum dá continuidade a uma prática que Elordi já havia levado para outro set e que aparece também em suas escolhas pessoais de equipamento. Há ainda um registro específico dessa relação durante Euphoria: segundo o fotógrafo Eddy Chen, Elordi, Maude Apatow e ele compraram câmeras Contax G2 usadas no eBay na mesma época e chegaram a levá-las para as filmagens.
É nesse contexto que o diário de Frankenstein ganha uma dimensão maior por estar inserido diretamente em seus processos de criação. O diário passa por elementos da caracterização da Criatura vivida pelo ator, pelos espaços construídos para a produção e por atores como Oscar Isaac e David Bradley, caracterizados respectivamente como seus personagens, mas sem assumir a aparência de um ensaio promocional convencional.
Mesmo sendo um conjunto breve de imagens, observo que há nelas decisões que vão além do registro casual de quem simplesmente aponta a câmera para o que está acontecendo. O ator demonstra uma relação com a fotografia que vai além de um olhar amador, revelando certa compreensão não apenas de luz e sombra, mas também de profundidade de campo, foco e enquadramento, além da familiaridade com câmeras analógicas. Tamanha atenção também diferencia o diário de um registro de bastidores tradicional e dá às fotografias de Elordi uma identidade própria.
Essa relação com a fotografia acontece paralelamente à extensa preparação de Elordi para interpretar A Criatura em Frankenstein. Para o papel, o ator teve cerca de quatro semanas de preparação e estudou referências que iam do butô japonês aos movimentos de sua golden retriever, Layla. A caracterização envolveu horas de trabalho e 42 peças protéticas criadas pela equipe de Mike Hill, além de dentaduras e lentes de contato. Foi durante esse processo de transformação que Elordi também registrou parte dos bastidores que compõem seu diário fotográfico para a Tudum Magazine.
Os bastidores de Frankenstein ainda ganha uma extensão em vídeo.
Em 2 de dezembro de 2025, o canal Still Watching Netflix, ligado à operação da Netflix no Reino Unido, publicou um vídeo de bastidores em que Guillermo del Toro apresenta diferentes aspectos da produção de Frankenstein, acompanhado por Oscar Isaac, Jacob Elordi e Mia Goth e por profissionais como Tamara Deverell, Kate Hawley, Dan Laustsen e Mike Hill.
O vídeo permite observar aquilo que as fotografias de Elordi registram de maneira mais fragmentada. Os cenários, figurinos, outras fotografias, caracterização e o trabalho coletivo por trás da versão de del Toro.
O diário fotográfico, portanto, funciona como uma extensão bastante particular da participação de Elordi no filme. As imagens não procuram substituir as fotografias promocionais tradicionais do filme, e sim registrar aquilo que o ator encontrou durante a transformação em Criatura: próteses, cadeiras vazias, cenários construídos, colegas caracterizados e fragmentos do próprio set.
Publicadas originalmente no contexto da edição 22 da Tudum Magazine, elas transformam a experiência do ator em um pequeno arquivo visual dos bastidores de um dos projetos mais ambiciosos de Guillermo del Toro.
Imagem de capa: Foto por Ken Woroner
Outras fontes: Jacob Elordi Transcends with His Frankenstein Transformation
Francisco P. Neto
Criador e editor do CaroCineasta.
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