O que assistir na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: 20 filmes para conhecer

A programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo é uma oportunidade de descobrir filmes que talvez demorassem a chegar ao circuito comercial brasileiro. Entre produções premiadas, documentários sobre memória e cultura, dramas familiares e histórias que investigam as contradições do nosso tempo, selecionei alguns títulos que despertaram meu interesse nesta edição.
A lista reúne documentários, dramas, sátiras e animações com propostas bastante distintas. Alguns chamam a atenção pela premissa incomum; outros, pelas questões que levantam sobre cinema, memória, poder e relações humanas. Mais do que um ranking ou uma seleção baseada em avaliações já realizadas, este é um roteiro pessoal de filmes que gostaria de assistir durante a Mostra, pensado também para quem ainda está decidindo o que incluir na própria programação.
Entre os títulos da seleção, este talvez seja o que mais me intriga pela maneira como transforma uma experiência íntima em algo visualmente extraordinário. Depois da morte de Yo, sua amiga Anna Fitch passa uma década construindo uma réplica da casa dela em escala reduzida, habitada por uma marionete que representa a mulher.
A relação entre as duas, iniciada quando Anna tinha 24 anos e Yo, 73, atravessa diferenças geracionais e convenções sociais. O filme mistura registros documentais, reconstruções e invenção artística para abordar memória, sexualidade, envelhecimento e luto. A ideia de construir fisicamente um espaço para continuar elaborando a ausência de alguém torna o filme especialmente instigante.
Sessões informadas:
O zumbi é uma das figuras mais reconhecíveis do cinema de terror, mas sua popularização como criatura devoradora de carne obscureceu uma história muito mais perturbadora. No Haiti colonial, a figura estava ligada à escravidão, à exploração do trabalho e à privação da liberdade até mesmo depois da morte.
Maya Annik Bedward investiga como esse significado foi transformado pela indústria cultural, combinando imagens de arquivo, entrevistas e história do cinema de terror. Interessa-me especialmente a possibilidade de rever um ícone tão familiar por uma perspectiva que questiona o apagamento de suas origens negras e espirituais.
Sessões informadas:
Um casal romeno-norueguês se estabelece em uma vila isolada e se aproxima de uma família vizinha. As crianças criam laços, mas as diferenças entre as formas de criação ganham outra dimensão quando uma adolescente aparece na escola com marcas pelo corpo.
Dirigido por Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro pelo filme 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, Fjord parece interessado em como crenças, educação e convenções familiares podem entrar em conflito com a percepção de quem está de fora. A suspeita não se restringe a uma família, ela passa a envolver toda uma comunidade. O filme é liderado por nomes conhecidos como Sebastian Stan e Renate Reinsve – atriz de Valor Sentimental que me faz querer assistir.
Sessões informadas:
Marie-Lou, diretora de uma casa de repouso nos arredores de Paris, decide adotar uma abordagem de cuidado humanizado apesar da resistência de sua equipe. O encontro com Mari Morisaki, uma dramaturga japonesa em estado terminal, transforma a maneira como ela compreende seu trabalho.
Ryūsuke Hamaguchi, conhecido por construir narrativas a partir das conversas, dos silêncios e das contradições de seus personagens, volta a um território em que relações aparentemente cotidianas podem alterar uma vida inteira. A duração de mais de três horas também sugere uma experiência que exige disponibilidade para acompanhar o desenvolvimento dessas personagens sem pressa.
Sessões informadas:

Uma equipe especializada em furtos a lojas decide enfrentar uma poderosa magnata da moda. A premissa transforma o roubo em uma espécie de serviço comunitário, invertendo os papéis habituais entre criminosos e figuras respeitáveis do mundo empresarial.
Boots Riley, diretor de Desculpe Te Incomodar, costuma combinar sátira social, humor absurdo e crítica ao capitalismo. Por isso, a proposta me interessa não apenas pelo crime em si, mas pela possibilidade de transformar o universo da moda e do consumo em matéria para uma comédia provocadora. O elenco inclui Keke Palmer, Naomi Ackie, Taylour Paige e LaKeith Stanfield.
Sessões informadas:

Gleb, um executivo bem-sucedido, vê a estrutura cuidadosamente organizada de sua vida desmoronar diante de pressões corporativas e de um mundo cada vez mais instável. A crise avança até desembocar em violência.
Andrey Zvyagintsev, de Leviatã e Sem Amor, volta a investigar indivíduos presos em estruturas de poder que parecem maiores do que eles. O título evoca uma criatura mitológica confinada em um labirinto, uma imagem que combina com a ideia de um protagonista cercado por forças que talvez já não consiga controlar.
Sessões informadas:

Em apenas oito minutos, Kleber Mendonça Filho acompanha Jafar Panahi por Nova York, enquanto o cineasta iraniano reflete sobre sua trajetória e a perseguição sofrida em seu país natal.
A duração curta é um dos motivos para prestar atenção ao filme. Em vez de uma biografia extensa, a proposta parte de uma conversa entre realizadores cujas obras se relacionam com questões políticas, liberdade e memória. Também é uma oportunidade de observar como o cinema pode registrar não apenas acontecimentos, mas o pensamento de quem faz filmes.
Sessões informadas:

Dois irmãos seguem caminhos diferentes em busca do sonho americano. Irwin constrói uma família, enquanto Gary faz carreira na polícia. Quando este apresenta ao irmão uma oportunidade de negócio aparentemente irresistível, os dois acabam envolvidos com a máfia russa.
James Gray retorna ao drama criminal e familiar, terreno que explorou em filmes como Os Donos da Noite. A presença de Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller reforça o interesse pela produção, mas é a erosão dos laços entre os irmãos que dá à história seu principal conflito.
Sessão informada:

Frances Haugen, engenheira do Facebook, conta com a ajuda do jornalista Jeff Horwitz para expor informações comprometedoras sobre a empresa. Inspirado em fatos reais, o roteiro de Aaron Sorkin retoma o universo de poder e tecnologia apresentado em A Rede Social.
O tema continua relevante porque coloca em discussão o funcionamento das plataformas digitais e a dificuldade de responsabilizar corporações com enorme influência pública. Quero ver como Sorkin se sai nessa dupla investida, assumindo roteiro e direção de um filme que retoma o universo de A Rede Social, longa de David Fincher cujo roteiro lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2011.
Sessões informadas:
Em Belo Horizonte, um acidente de ônibus mata todos os passageiros, exceto um, e transforma o motorista Wesley em alvo de especulações sobre um possível suicídio. Sua mãe, Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos, fica devastada e decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas.
O conceito me interessa pela maneira como Gabriel Martins, diretor de Marte Um, aborda a culpa e o luto a partir da iniciativa de uma mãe que procura as famílias das vítimas de uma tragédia pela qual não é diretamente responsável. Exibido nos festivais de Toronto e San Sebastián, o filme também foi premiado no Festival do Rio de 2026, onde recebeu os troféus de Melhor Direção de Ficção, Melhor Roteiro e Melhor Filme pelo voto popular.
Sessões informadas:
17/10, às 20h, no CineSesc
22/10, às 17h, no Reserva Cultural, Sala 1

Mais de cinquenta entrevistas conduzem o espectador pelos bastidores da animação, do desenho tradicional às imagens geradas por computador e ao stop-motion. O documentário reúne profissionais experientes e novos talentos para discutir processos criativos, inspirações e as condições de trabalho da área.
O interesse está em olhar para a animação para além do resultado final, conhecendo as pessoas e decisões que dão forma às imagens. Para quem acompanha cinema e audiovisual, é também uma oportunidade de compreender como diferentes técnicas determinam a estética e as possibilidades de uma obra.
Sessões informadas:
Uma cineasta afro-brasileira e um fotógrafo suíço percorrem diferentes países para investigar como mais de seis séculos de colonialismo e racismo continuam moldando o mundo contemporâneo. O documentário combina reflexão histórica, experiências pessoais e encontros com intelectuais e territórios marcados por diferentes formas de resistência.
A proposta amplia a seleção para além de histórias individuais, observando as estruturas que organizam as relações sociais e a construção das narrativas históricas. Me interessa a abordagem ensaística e a possibilidade de acompanhar como duas perspectivas diferentes se encontram nessa investigação.
Sessões informadas:
Além dos 13 selecionados, há outros filmes na programação que chamam a atenção por suas premissas e escolhas de linguagem. Dois deles merecem ficar no radar.
Nesta animação japonesa, uma pequena transgressão cometida por um garoto em uma cidade tranquila se transforma em algo que ele tentará esquecer pelo resto da vida. A ideia de acompanhar as consequências de um ato aparentemente banal ao longo de uma existência pode render uma narrativa singular, especialmente pela maneira como um acontecimento aparentemente pequeno pode adquirir proporções inesperadas com o passar do tempo.
O que desperta minha curiosidade é a desproporção entre o acontecimento inicial, aparentemente banal, e suas consequências ao longo de uma vida inteira. Em vez de partir de uma invasão extraterrestre ou de uma ameaça cósmica convencional, a premissa parece usar a ideia de alienígenas para explorar culpa, isolamento e a dificuldade de escapar de algo que fizemos. Resta descobrir como Kohei Kadowaki desenvolve essa passagem da adolescência para a vida adulta em uma animação de quase duas horas.
Sessões informadas:
17/10, às 11h30, no Solar Sala Petrobras
20/10, às 15h, no Reserva Cultural, Sala 1
23/10, às 11h50, no Sato Cinema

Ingeborg e Adam são cirurgiões de mãos que compartilham uma relação marcada pelo amor, pelo controle e por obsessões particulares. Ela sente uma necessidade compulsiva de roubar objetos; ele deseja se tornar um deles. Quando um acidente coloca a enigmática Gaia em suas vidas, novos desejos começam a surgir e ameaçam o equilíbrio do casal.
A premissa é uma das mais estranhas desta seleção, sobretudo pela maneira como transforma impulsos aparentemente incompatíveis em parte de uma mesma relação. A ideia de alguém que deseja deixar de ser humano para se tornar um objeto já seria suficiente para despertar curiosidade; somada à compulsão da parceira e à chegada de uma terceira pessoa, ela sugere um filme que pode explorar o corpo, a identidade e o desejo por caminhos pouco convencionais.
Sessões informadas:
Caminhoneira veterana, CJ está na casa dos setenta anos e é uma das últimas caminhoneiras autônomas em um setor dominado por homens. Acostumada à solidão e a dormir no próprio caminhão, ela encontra companhia na voz de Buck, outro caminhoneiro que conhece apenas pelas conversas no rádio. Sua rotina começa a mudar quando entra em contato com uma nova geração que usa as redes sociais para promover o trabalho e decide finalmente abrir uma carta da comissão de liberdade condicional que vinha evitando há muito tempo.
Com Margo Martindale no papel principal e Cole Sprouse, Stephen Root, Yalitza Aparicio e Wes Studi no elenco, o filme integra a Competição Novos Diretores da Mostra.
Sessões informadas:
No sertão da Paraíba, cientistas desenvolvem um experimento secreto para conter a disseminação da dengue. O projeto Yellow Cake pretende esterilizar o mosquito Aedes aegypti com urânio extraído da própria região. Quando a iniciativa fracassa e provoca uma catástrofe, a física nuclear Rúbia Ribeiro precisa encontrar uma maneira de impedir que a situação saia ainda mais do controle, com a ajuda de mineradores locais.
A premissa desperta curiosidade pela combinação pouco convencional de ficção científica, crise sanitária e exploração mineral em um cenário brasileiro. O uso do urânio como solução para um problema de saúde pública cria uma contradição que pode ser fértil: a tentativa de controlar uma ameaça acaba produzindo outra. Também me interessa saber como Tiago Melo transforma essa ideia em narrativa, especialmente ao situar a história no sertão paraibano, longe dos cenários mais recorrentes da ficção científica comercial. O filme passou pelo Festival de Roterdã e integra a seção Mostra Brasil.
Sessões informadas:
22/10, às 18h40, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, Sala 1
27/10, às 18h30, no Cine Tutu

Dendelion, Baraban, Léonto e Taraxa são quatro sementes de dente-de-leão que sobrevivem às explosões nucleares que destroem a Terra e acabam lançadas ao cosmos. Ao chegarem a um planeta desconhecido, elas partem em busca de um solo onde possam sobreviver, enfrentando obstáculos impostos pela fauna, pela flora e pelo clima.
A animação de Momoko Seto aborda, por meio dessa jornada, temas como migração e busca por um lugar para chamar de lar. O filme venceu o Prêmio da Crítica Internacional na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2025.
A lista reúne documentários, dramas, sátiras e animações com propostas bastante distintas. Alguns chamam a atenção pela premissa incomum; outros, pelas questões que levantam sobre cinema, memória, poder e relações humanas. Mais do que um ranking ou uma seleção baseada em avaliações já realizadas, este é um roteiro pessoal de filmes que gostaria de assistir durante a Mostra, pensado também para quem ainda está decidindo o que incluir na própria programação.
Cada título tem link direto para sua pagina da Mostra.
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1. Yo (O Amor é um Pássaro Rebelde)
Documentário | EUA | 78 min | 14 anos | Direção: Banker White e Anna FitchEntre os títulos da seleção, este talvez seja o que mais me intriga pela maneira como transforma uma experiência íntima em algo visualmente extraordinário. Depois da morte de Yo, sua amiga Anna Fitch passa uma década construindo uma réplica da casa dela em escala reduzida, habitada por uma marionete que representa a mulher.
A relação entre as duas, iniciada quando Anna tinha 24 anos e Yo, 73, atravessa diferenças geracionais e convenções sociais. O filme mistura registros documentais, reconstruções e invenção artística para abordar memória, sexualidade, envelhecimento e luto. A ideia de construir fisicamente um espaço para continuar elaborando a ausência de alguém torna o filme especialmente instigante.
Sessões informadas:
16/10, às 16h, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 3
22/10, às 17h35, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 2
25/10, às 13h, no Solar Sala Petrobras
28/10, às 21h40, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 1
2. Black Zombie
Documentário | Canadá | 92 min | 14 anos | Direção: Maya Annik BedwardO zumbi é uma das figuras mais reconhecíveis do cinema de terror, mas sua popularização como criatura devoradora de carne obscureceu uma história muito mais perturbadora. No Haiti colonial, a figura estava ligada à escravidão, à exploração do trabalho e à privação da liberdade até mesmo depois da morte.
Maya Annik Bedward investiga como esse significado foi transformado pela indústria cultural, combinando imagens de arquivo, entrevistas e história do cinema de terror. Interessa-me especialmente a possibilidade de rever um ícone tão familiar por uma perspectiva que questiona o apagamento de suas origens negras e espirituais.
Sessões informadas:
16/10, às 13h, no Reserva Cultural, Sala 2
21/10, às 20h, no MIS
26/10, às 13h, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 1
3. Fjord
Drama | 146 min | 16 anos | Direção: Cristian MungiuUm casal romeno-norueguês se estabelece em uma vila isolada e se aproxima de uma família vizinha. As crianças criam laços, mas as diferenças entre as formas de criação ganham outra dimensão quando uma adolescente aparece na escola com marcas pelo corpo.
Dirigido por Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro pelo filme 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, Fjord parece interessado em como crenças, educação e convenções familiares podem entrar em conflito com a percepção de quem está de fora. A suspeita não se restringe a uma família, ela passa a envolver toda uma comunidade. O filme é liderado por nomes conhecidos como Sebastian Stan e Renate Reinsve – atriz de Valor Sentimental que me faz querer assistir.
Sessões informadas:
19/10, às 18h, no Cultura Artística
26/10, às 20h10, no Cinesesc
4. O Sentido da Vida (Soudain)
Drama | 196 min | 14 anos | Direção: Ryūsuke HamaguchiMarie-Lou, diretora de uma casa de repouso nos arredores de Paris, decide adotar uma abordagem de cuidado humanizado apesar da resistência de sua equipe. O encontro com Mari Morisaki, uma dramaturga japonesa em estado terminal, transforma a maneira como ela compreende seu trabalho.
Ryūsuke Hamaguchi, conhecido por construir narrativas a partir das conversas, dos silêncios e das contradições de seus personagens, volta a um território em que relações aparentemente cotidianas podem alterar uma vida inteira. A duração de mais de três horas também sugere uma experiência que exige disponibilidade para acompanhar o desenvolvimento dessas personagens sem pressa.
Sessões informadas:
20/10, às 17h30, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 1
22/10, às 13h, no Reserva Cultural, Sala 2
24/10, às 18h40, no Sato Cinema
26/10, às 19h15, no Cultura Artística
5. I Love Boosters
Ficção | EUA | 113 min | 16 anos | Direção: Boots Riley
Uma equipe especializada em furtos a lojas decide enfrentar uma poderosa magnata da moda. A premissa transforma o roubo em uma espécie de serviço comunitário, invertendo os papéis habituais entre criminosos e figuras respeitáveis do mundo empresarial.
Boots Riley, diretor de Desculpe Te Incomodar, costuma combinar sátira social, humor absurdo e crítica ao capitalismo. Por isso, a proposta me interessa não apenas pelo crime em si, mas pela possibilidade de transformar o universo da moda e do consumo em matéria para uma comédia provocadora. O elenco inclui Keke Palmer, Naomi Ackie, Taylour Paige e LaKeith Stanfield.
Sessões informadas:
24/10, às 19h30, no Cultura Artística
26/10, às 17h10, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 1
27/10, às 20h40, no Reserva Cultural, Sala 2
28/10, às 18h30, na Cinesala
6. Minotauro
Drama | 135 min | 16 anos | Direção: Andrey Zvyagintsev
Gleb, um executivo bem-sucedido, vê a estrutura cuidadosamente organizada de sua vida desmoronar diante de pressões corporativas e de um mundo cada vez mais instável. A crise avança até desembocar em violência.
Andrey Zvyagintsev, de Leviatã e Sem Amor, volta a investigar indivíduos presos em estruturas de poder que parecem maiores do que eles. O título evoca uma criatura mitológica confinada em um labirinto, uma imagem que combina com a ideia de um protagonista cercado por forças que talvez já não consiga controlar.
Sessões informadas:
21/10, às 18h, no Cultura Artística
24/10, às 21h15, no Cine Belas Artes, Sala 1 Leon Cakoff
25/10, às 21h10, no Reserva Cultural, Sala 2
7. Sul de Teerã
Documentário | Brasil/EUA | 8 min | Livre | Direção: Kleber Mendonça Filho
Em apenas oito minutos, Kleber Mendonça Filho acompanha Jafar Panahi por Nova York, enquanto o cineasta iraniano reflete sobre sua trajetória e a perseguição sofrida em seu país natal.
A duração curta é um dos motivos para prestar atenção ao filme. Em vez de uma biografia extensa, a proposta parte de uma conversa entre realizadores cujas obras se relacionam com questões políticas, liberdade e memória. Também é uma oportunidade de observar como o cinema pode registrar não apenas acontecimentos, mas o pensamento de quem faz filmes.
Sessões informadas:
16/10, às 18h45, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 1
27/10, às 21h, no Cultura Artística. O curta é exibido junto com Tigre de Papel
8. Tigre de Papel
Ficção | EUA | 115 min | 16 anos | Direção: James Gray
Dois irmãos seguem caminhos diferentes em busca do sonho americano. Irwin constrói uma família, enquanto Gary faz carreira na polícia. Quando este apresenta ao irmão uma oportunidade de negócio aparentemente irresistível, os dois acabam envolvidos com a máfia russa.
James Gray retorna ao drama criminal e familiar, terreno que explorou em filmes como Os Donos da Noite. A presença de Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller reforça o interesse pela produção, mas é a erosão dos laços entre os irmãos que dá à história seu principal conflito.
Sessão informada:
27/10, às 21h, no Cultura Artística, em sessão conjunta com o curta Sul de Teerã
Confira a programação oficial para confirmar eventuais outras exibições
9. O Outro Lado das Redes
Ficção | EUA | 112 min | 14 anos | Direção: Aaron Sorkin
Frances Haugen, engenheira do Facebook, conta com a ajuda do jornalista Jeff Horwitz para expor informações comprometedoras sobre a empresa. Inspirado em fatos reais, o roteiro de Aaron Sorkin retoma o universo de poder e tecnologia apresentado em A Rede Social.
O tema continua relevante porque coloca em discussão o funcionamento das plataformas digitais e a dificuldade de responsabilizar corporações com enorme influência pública. Quero ver como Sorkin se sai nessa dupla investida, assumindo roteiro e direção de um filme que retoma o universo de A Rede Social, longa de David Fincher cujo roteiro lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2011.
Sessões informadas:
16/10, às 20h, no Cinesesc
19/10, às 18h15, no Cine Belas Artes, Sala 1 Leon Cakoff
21/10, às 19h30, no Solar Sala Petrobras
10. Vicentina Pede Desculpas
Ficção | Brasil | 148 min | 14 anos | Direção: Gabriel MartinsEm Belo Horizonte, um acidente de ônibus mata todos os passageiros, exceto um, e transforma o motorista Wesley em alvo de especulações sobre um possível suicídio. Sua mãe, Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos, fica devastada e decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas.
O conceito me interessa pela maneira como Gabriel Martins, diretor de Marte Um, aborda a culpa e o luto a partir da iniciativa de uma mãe que procura as famílias das vítimas de uma tragédia pela qual não é diretamente responsável. Exibido nos festivais de Toronto e San Sebastián, o filme também foi premiado no Festival do Rio de 2026, onde recebeu os troféus de Melhor Direção de Ficção, Melhor Roteiro e Melhor Filme pelo voto popular.
Sessões informadas:
17/10, às 20h, no CineSesc
22/10, às 17h, no Reserva Cultural, Sala 1
11. Caminhando com Animadores
Documentário | França | 104 min | 12 anos | Direção: Alexandre Poncet e Gilles Penso
Mais de cinquenta entrevistas conduzem o espectador pelos bastidores da animação, do desenho tradicional às imagens geradas por computador e ao stop-motion. O documentário reúne profissionais experientes e novos talentos para discutir processos criativos, inspirações e as condições de trabalho da área.
O interesse está em olhar para a animação para além do resultado final, conhecendo as pessoas e decisões que dão forma às imagens. Para quem acompanha cinema e audiovisual, é também uma oportunidade de compreender como diferentes técnicas determinam a estética e as possibilidades de uma obra.
Sessões informadas:
23/10, às 18h40, na Cinesala
24/10, às 10h30, no Reserva Cultural, Sala 1
25/10, às 17h30, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 5
12. O Samurai e o Prisioneiro
Ficção | Japão | 147 min | 14 anos | Direção: Kiyoshi Kurosawa
Quando o lorde Murashige Araki se rebela contra o tirânico Nobunaga Oda, acaba sitiado em seu próprio castelo. Em meio ao cerco, uma série de crimes misteriosos instala o medo e a desconfiança entre os membros da corte. Para descobrir a verdade antes da invasão, Murashige precisa recorrer a Kanbei Kuroda, um estrategista brilhante e perigoso que mantém prisioneiro.
A combinação de drama histórico, investigação criminal e tensão política faz deste um título especialmente atraente. O castelo isolado oferece um cenário de suspeitas, alianças frágeis e possíveis traições, enquanto a parceria entre um senhor sitiado e um prisioneiro imprevisível acrescenta outra camada de conflito. O filme é uma adaptação do romance Kokurojo, de Honobu Yonezawa, e foi exibido no Festival de Cannes.
Sessões informadas:
A combinação de drama histórico, investigação criminal e tensão política faz deste um título especialmente atraente. O castelo isolado oferece um cenário de suspeitas, alianças frágeis e possíveis traições, enquanto a parceria entre um senhor sitiado e um prisioneiro imprevisível acrescenta outra camada de conflito. O filme é uma adaptação do romance Kokurojo, de Honobu Yonezawa, e foi exibido no Festival de Cannes.
Sessões informadas:
15/10, às 15h40, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 3
25/10, às 19h25, no Sato Cinema
26/10, às 16h15, no Cultura Artística
28/10, às 17h30, no Reserva Cultural, Sala 1
13. O Projeto
Documentário | Brasil | 95 min | 14 anos | Direção: Sabrina Fidalgo e Yvan RodicUma cineasta afro-brasileira e um fotógrafo suíço percorrem diferentes países para investigar como mais de seis séculos de colonialismo e racismo continuam moldando o mundo contemporâneo. O documentário combina reflexão histórica, experiências pessoais e encontros com intelectuais e territórios marcados por diferentes formas de resistência.
A proposta amplia a seleção para além de histórias individuais, observando as estruturas que organizam as relações sociais e a construção das narrativas históricas. Me interessa a abordagem ensaística e a possibilidade de acompanhar como duas perspectivas diferentes se encontram nessa investigação.
Sessões informadas:
22/10, às 21h10, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 2
27/10, às 17h40, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 2
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Outros títulos para quem procura filmes inusitados
Além dos 13 selecionados, há outros filmes na programação que chamam a atenção por suas premissas e escolhas de linguagem. Dois deles merecem ficar no radar.
Somos Alienígenas
Animação | Japão/França | 117 min | 14 anos | Direção: Kohei KadowakiNesta animação japonesa, uma pequena transgressão cometida por um garoto em uma cidade tranquila se transforma em algo que ele tentará esquecer pelo resto da vida. A ideia de acompanhar as consequências de um ato aparentemente banal ao longo de uma existência pode render uma narrativa singular, especialmente pela maneira como um acontecimento aparentemente pequeno pode adquirir proporções inesperadas com o passar do tempo.
O que desperta minha curiosidade é a desproporção entre o acontecimento inicial, aparentemente banal, e suas consequências ao longo de uma vida inteira. Em vez de partir de uma invasão extraterrestre ou de uma ameaça cósmica convencional, a premissa parece usar a ideia de alienígenas para explorar culpa, isolamento e a dificuldade de escapar de algo que fizemos. Resta descobrir como Kohei Kadowaki desenvolve essa passagem da adolescência para a vida adulta em uma animação de quase duas horas.
Sessões informadas:
17/10, às 11h30, no Solar Sala Petrobras
20/10, às 15h, no Reserva Cultural, Sala 1
23/10, às 11h50, no Sato Cinema
Objeto A
Ficção | Alemanha, Luxemburgo e Grécia | 95 min | 18 anos | Direção: Ann Oren
Ingeborg e Adam são cirurgiões de mãos que compartilham uma relação marcada pelo amor, pelo controle e por obsessões particulares. Ela sente uma necessidade compulsiva de roubar objetos; ele deseja se tornar um deles. Quando um acidente coloca a enigmática Gaia em suas vidas, novos desejos começam a surgir e ameaçam o equilíbrio do casal.
A premissa é uma das mais estranhas desta seleção, sobretudo pela maneira como transforma impulsos aparentemente incompatíveis em parte de uma mesma relação. A ideia de alguém que deseja deixar de ser humano para se tornar um objeto já seria suficiente para despertar curiosidade; somada à compulsão da parceira e à chegada de uma terceira pessoa, ela sugere um filme que pode explorar o corpo, a identidade e o desejo por caminhos pouco convencionais.
Sessões informadas:
17/10, às 17h40, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 3
20/10, às 19h, no Circuito SPCine Lima Barreto, no CCSP
29/10, às 16h30, na Cineasta
Eu Mereço um Amante Cujo Despertar Faça Arder Ruínas Flamejantes pelos Céus
Entre Tabriz e Teerã, em meio à escalada de conflitos que envolve o Irã, Israel e os Estados Unidos, dois artistas iranianos recorrem a um arquivo particular reunido ao longo de décadas. Fotografias, documentos, objetos descartados e fragmentos de vidas anônimas dão forma a um museu improvisado dedicado a pessoas frequentemente ignoradas pela história.
O que me chama a atenção, alem do título grande e poético, é a proposta de reconstruir vidas a partir de vestígios materiais, como se objetos abandonados pudessem preservar histórias que os registros oficiais deixam de fora. Em meio à instabilidade política a memória pessoal também se torna uma forma de resistir ao apagamento.
Sessões informadas:
17/10, às 13h45, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, Sala 4
19/10, às 17h15, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 1
21/10, às 18h15, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, Sala 1
23/10, às 20h45, no Cine Belas Artes, Sala 1 Leon Cakoff
O que me chama a atenção, alem do título grande e poético, é a proposta de reconstruir vidas a partir de vestígios materiais, como se objetos abandonados pudessem preservar histórias que os registros oficiais deixam de fora. Em meio à instabilidade política a memória pessoal também se torna uma forma de resistir ao apagamento.
Sessões informadas:
17/10, às 13h45, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, Sala 4
19/10, às 17h15, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 1
21/10, às 18h15, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, Sala 1
23/10, às 20h45, no Cine Belas Artes, Sala 1 Leon Cakoff
A Longa Estrada
Ficção | EUA/Reino Unido | 91 min | 14 anos | Direção: David DrakeCaminhoneira veterana, CJ está na casa dos setenta anos e é uma das últimas caminhoneiras autônomas em um setor dominado por homens. Acostumada à solidão e a dormir no próprio caminhão, ela encontra companhia na voz de Buck, outro caminhoneiro que conhece apenas pelas conversas no rádio. Sua rotina começa a mudar quando entra em contato com uma nova geração que usa as redes sociais para promover o trabalho e decide finalmente abrir uma carta da comissão de liberdade condicional que vinha evitando há muito tempo.
Com Margo Martindale no papel principal e Cole Sprouse, Stephen Root, Yalitza Aparicio e Wes Studi no elenco, o filme integra a Competição Novos Diretores da Mostra.
Sessões informadas:
16/10, às 15h45, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 4
18/10, às 22h, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 3
28/10, às 18h10, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 3
29/10, às 14h, no Instituto Moreira Salles – Paulista
Yellow Cake
Ficção | Brasil | 97 min | 14 anos | Direção: Tiago MeloA premissa desperta curiosidade pela combinação pouco convencional de ficção científica, crise sanitária e exploração mineral em um cenário brasileiro. O uso do urânio como solução para um problema de saúde pública cria uma contradição que pode ser fértil: a tentativa de controlar uma ameaça acaba produzindo outra. Também me interessa saber como Tiago Melo transforma essa ideia em narrativa, especialmente ao situar a história no sertão paraibano, longe dos cenários mais recorrentes da ficção científica comercial. O filme passou pelo Festival de Roterdã e integra a seção Mostra Brasil.
Sessões informadas:
22/10, às 18h40, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, Sala 1
27/10, às 18h30, no Cine Tutu
A Odisseia dos Dentes-de-leão
Animação | França e Bélgica | 76 min | Livre | Direção: Momoko Seto
Dendelion, Baraban, Léonto e Taraxa são quatro sementes de dente-de-leão que sobrevivem às explosões nucleares que destroem a Terra e acabam lançadas ao cosmos. Ao chegarem a um planeta desconhecido, elas partem em busca de um solo onde possam sobreviver, enfrentando obstáculos impostos pela fauna, pela flora e pelo clima.
A animação de Momoko Seto aborda, por meio dessa jornada, temas como migração e busca por um lugar para chamar de lar. O filme venceu o Prêmio da Crítica Internacional na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2025.
Sessões informadas:
18/10, às 19h, no Sesc Paulista — Bulevar do Rádio
19/10, às 16h, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 2
22/10, às 15h, no Circuito SPCine CEU Jaçanã
23/10, às 18h, no Itaú Cultural
18/10, às 19h, no Sesc Paulista — Bulevar do Rádio
19/10, às 16h, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 2
22/10, às 15h, no Circuito SPCine CEU Jaçanã
23/10, às 18h, no Itaú Cultural
Os Dias Livres
Ficção | Argentina, Brasil, México e França | 84 min | 14 anos | Direção: Lucila Mariani
Em um futuro próximo, durante férias de verão que parecem intermináveis e às vésperas de um eclipse solar, Bego, de 12 anos, tenta encontrar seu lugar na família e entre as meninas de sua idade. Enquanto o fenômeno parece afetar animais e pessoas ao redor, ela conhece REN__, uma amiga virtual que a apresenta ao shifting, prática pela qual adolescentes acreditam acessar outras realidades por meio de sonhos lúcidos. O filme recebeu uma menção especial na seção Cineastas do Presente do Festival de Locarno.
O que me desperta curiosidade, além do tom contemplativo e meditativo sugerido pelo trailer, é a combinação entre as inquietações da adolescência, a amizade virtual e a possibilidade de escapar da realidade por meio dos sonhos. A iminência de um eclipse acrescenta uma dimensão estranha à história, deixando em aberto a fronteira entre mudanças próprias da idade e acontecimentos que parecem desafiar a lógica cotidiana.
Sessões informadas:
18/10, às 18h50, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, Sala 1
19/10, às 14h, no Cine Tutu
20/10, às 16h10, no Instituto Moreira Salles — Paulista
29/10, às 13h30, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 1
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A programação da Mostra está sujeita a alterações. Antes de organizar sua agenda, consulte o site oficial da Mostra para confirmar horários, salas, disponibilidade de ingressos e classificação indicativa.
Essa lista, naturalmente, está longe de ser completa. Há muitos outros títulos que merecem ser descobertos, distribuídos por seções como Apresentação Especial, Competição Novos Diretores, Filmes Restaurados, Homenagem, Mostra em Série, Mostrinha, Mostra Brasil, Perspectiva Internacional, Realidade Virtual, entre outras. Vale explorar a programação completa e encontrar filmes que talvez nem estivessem no radar, mas que podem acabar sendo algumas das descobertas mais interessantes desta edição.
Nenhum dos filmes apresentados aqui foi assistido pelo blog até a publicação desta lista. As escolhas são, portanto, recomendações de caráter pessoal e curatorial, movidas pelas informações disponíveis sobre cada obra.
O fato de reunir 20 filmes nesta lista não significa que conseguirei assistir a todos durante a Mostra, considerando o quão disputados são os ingressos, além das distâncias entre as salas e os possíveis conflitos de horários. Fica, de toda forma, a esperança de que esses títulos mais exclusivos cheguem ao Brasil em algum momento deste ou do próximo ano, seja pelo circuito comercial ou por outras janelas de exibição.
O fato de reunir 20 filmes nesta lista não significa que conseguirei assistir a todos durante a Mostra, considerando o quão disputados são os ingressos, além das distâncias entre as salas e os possíveis conflitos de horários. Fica, de toda forma, a esperança de que esses títulos mais exclusivos cheguem ao Brasil em algum momento deste ou do próximo ano, seja pelo circuito comercial ou por outras janelas de exibição.
Francisco P. Neto
Criador e editor do CaroCineasta.
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