Muito Prazer mantém o humor singelo e a simplicidade característica de Jorge Furtado
No começo da semana, pude assistir ao novo filme de Jorge Furtado, diretor de obras como O Homem Que Copiava e Saneamento Básico, que gosto muito, inclusive pela presença de Fernanda Torres (da qual gosto em Os Normais), e de Lázaro Ramos (Ó Paí, Ó). E talvez por conhecer um pouco do cinema de Furtado, Muito Prazer me pareça um filme que vale ser visto por quem já acompanha seu trabalho. Ou então, seria interessante para mim saber como tem sido a recepção de quem tá conhecendo agora o seu trabalho a partir deste título.
A história acompanha Rubem, um motorista de aplicativo sem muitas perspectivas que recebe de herança o Motel Pérola, um prédio em ruínas que ele sequer imaginava ainda estar de pé. Lá, conhece Grace, ex-funcionária que continuou morando em uma das suítes depois que o motel fechou. Sem conseguir vender o imóvel e atolados em dívidas, os dois decidem reativá-lo com a ajuda de Nalva, que sabe tudo de internet, e encontram uma maneira, digamos, pouco convencional de fazer dinheiro. O trio passa a gravar os clientes do motel e vender os vídeos, com as identidades protegidas, para sites eróticos. O negócio dá certo mais rápido do que esperavam, mas também traz complicações.
A história acompanha Rubem, um motorista de aplicativo sem muitas perspectivas que recebe de herança o Motel Pérola, um prédio em ruínas que ele sequer imaginava ainda estar de pé. Lá, conhece Grace, ex-funcionária que continuou morando em uma das suítes depois que o motel fechou. Sem conseguir vender o imóvel e atolados em dívidas, os dois decidem reativá-lo com a ajuda de Nalva, que sabe tudo de internet, e encontram uma maneira, digamos, pouco convencional de fazer dinheiro. O trio passa a gravar os clientes do motel e vender os vídeos, com as identidades protegidas, para sites eróticos. O negócio dá certo mais rápido do que esperavam, mas também traz complicações.
Não encontrei muito o que dizer sobre o filme depois que os créditos finais subiram. E isso pode ser negativo quando acontece, pois sugere que o filme não me instigou a pensar nele tanto quanto uma análise pouco superficial requereria. Talvez porque este filme pareça se sustentar demais na simplicidade de sua proposta. Há aqui conflitos e personagens que poderiam render discussões muito maiores, mas Furtado parece não estar interessado nisso. Está ali o seu humor característico, singelo, por vezes leve e até propositalmente bobo, sem a necessidade de transformar cada piada em uma grande reflexão ou de atribuir à história uma importância maior do que ela realmente pretende ter.
Embora um tanto contidas, as atuações funcionam bem ao tema leve da narrativa. Com destaque para Samantha Jones como Nalva, a vendedora de eletrônicos, que, sem cerimônia, acaba integrando o núcleo central da história formado por Luisa Arraes como Grace e Daniel de Oliveira como Rubem, que, por sua vez, se conhecem primeiro no motel herdado por ele, que agora pretende reativá-lo de modo, digamos, criminoso. A história é fácil de acompanhar, sem rodeios ou truques de roteiro, muito simples até, e economiza tempo ao priorizar o drama e o romance central em vez de mergulhar nas implicações do crime sugerido, o que poderia torná-la ainda mais intrigante, porém, me pergunto se ainda seria um filme de Furtado.
Nalva, que na minha cabeça é uma versão levemente abrasileirada de Lisbeth Salander, traz para a narrativa o plot de cibersegurança, deepfake e algoritmos, algo muito atual e gostoso de debater, mas que se resume aqui com um fácil: "sigam-nos nas demais redes sociais...". A personagem aproveita os cinco minutos de fama (ou infâmia) do motel para divulgá-lo durante uma abordagem da imprensa na saída da delegacia. O conflito de interesses entre a concorrência do motel herdado, por exemplo, embora seja igualmente passageiro no filme, mas ainda me engaje, traz uma solução bem sacada no fim e atenta ao que pede o desfecho deste conflito em específico.
Há também o plot da mãe, Mariana, vivida por Drica Moraes, que descobre a filha desaparecida através de um suposto vídeo pornô. É engraçado, principalmente pela forma de retratar a mãe que vemos aqui, uma personagem que, se pensarmos melhor, é triste e sozinha em seus panos e trapos e sob um teto vazante. Outra oportunidade para um drama pesado que o filme, uma comédia romântica, deixa pra lá com a desculpa do humor fácil, e tudo bem.
Nota-se a pré disposição de todos pro humor.
* * *
Nota Crítica:
Quem for ver este Jorge Furtado no cinema pode esperar mais uma comédia leve, sem grandes pretensões.
Francisco P. Neto
Criador e editor do CaroCineasta.
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